O melhor Trekking da Patagônia


written by Thiago Costa on March 4, 2016

Cansou de todo aquele mimimi de museu? O assunto agora é viajar para a Patagônia, uma das regiões mais espetaculares do mundo, e para fazer uma viagem das mais loucas: Um trekking pelo Parque chileno Torres del Paine! O melhor local para trekking da Patagônia e talvez, sem exagero nenhum, do mundo.

 

2---TDP-Vista

 

O que mais impressiona em TDP é perceber o quanto o lugar se mantém quase sem interferência humana. Exceto nas pequenas áreas onde estão os refúgios e campings, todo o parque está intocado! E você se lembra disto a todo tempo, pois todo o parque é um mirante: em qualquer lugar que você parar e dar uma boa olhada, estará de frente para uma, ou várias, paisagens arrebatadoras: Lagos, montanhas, bosques, geleiras, rios e com sorte alguns animais silvestres.

 

2---TDP-Cuernos2

 

Vou falar um pouco de algumas das possibilidades no parque, e você vai ver que, independente do seu perfil, se você tiver algum interesse por esporte ou natureza, algum destes passeios vai servir perfeitamente para você.

 

2---TDP-Torres

 

Existem várias opções de trekking em Torres del Paine. Você pode fazer uma caminhada de um dia, dois, ou mesmo circuitos percorridos normalmente entre 4 e 8 dias. Existem várias opções, e aí você encaixa aquela mais adequada ao seu preparo físico, tempo disponível e disposição para acampar. Para quem não quer nem mesmo andar, sobra um limitado passeio bate-e-volta de van, limitado mas que ainda assim pode agradar.

 

2---TDP-Rio

 

O roteiro mais famoso é o chamado circuito W, que completo tem cerca de 70km e é percorrido normalmente entre 3 e 5 dias. O circuito tem este nome devido ao desenho feito pela trilha (vista aérea), que forma um W com as bases mais largas. Não é tão longo quanto o circuito O (cerca de 8 dias) mas permite visitar os pontos mais belos e famosos do parque: O Glaciar Grey, o Valle do Francês e as Torres del Paine. Para quem não abre mão de dormir em uma cama, é possível se hospedar todas as noites em refúgios e evitar os campings, o que também significaria um alívio na bagagem, que tem de ser carregada no lombo por uma parte do circuito. Porém, para aqueles que quiserem tentar esta estratégia, planejem bem pois a pernada ao vale do Francês fica bastante longa.

 

2---TDP---Cuernos

 

O maior roteiro é o circuito O, que engloba todo o W e acrescenta mais uma boa pernada de mais ou menos 59 km, totalizando cerca de 130km. Para quem pensa em seguir apenas dormindo em refúgios, este circuito complica um pouco, pois existem trechos de mais de 30 km entre eles. Aí, realmente o negócio é acampar. Mas para ser sincero, acampar em TDP é bom demais. Nada melhor para sentir a natureza mais perto de você, e para dormir juntinho no frio, se estiver acompanhado.

 

Bem menos visitada é a trilha que dá acesso a Cascata e lago Pingo e ao mirante do glaciar Zapata. Esta trilha tem 20km (somente ida) e duas opções de camping: campamento Pingo e campamento Zapata. Além dos atrativos citados, existe uma possibiidade maior que nas trilhas mais badaladas de conseguir avistar animais silvestres.

 

O início da trilha é na Guardería Lago Grey.

 

Para caminhadas de um dia, é possível fazer parte do circuito W, como a visita as Torres del Paine ou ao glaciar Grey, por exemplo. Ou uma caminhada avulsa, como a da Guarderia Pudeto até o mirador Cuernos.

 

Como ir:

 

A partir do Brasil, a forma mais comum de chegar até lá é seguir de avião e pousar em El Calafate na Argentina ou Puerto Varas, no Chile. Se optar pela primeira opção, poderá ficar um ou mais dias e conhecer o Glaciar Perito Moreno (vale a pena!!!). Se optar por chegar pelo Chile, poderá aproveitar a zona franca em Puerto Varas e comprar algum equipamento.

 

Independente da escolha, muito equipamento e comida para levar podem ser comprados em Puerto Natales, a cidade mais próxima do parque e próxima parada na viagem. Se não tiver uma barraca apropriada para o frio que vai encontrar lá, pode alugar uma nesta cidade. Foi o que fiz. Mas não deixe de conferir se está tudo ok. A barraca que aluguei estava faltando uma vareta, felizmente eu verifiquei na loja e não fiquei na mão no parque. Outra coisa que aluguei foram os bastões para caminhada, e acho que valeu a pena. Só não vá alugar saco de dormir, pois isso é igual cueca, cada um deve ter o seu. Acaba sendo meio nojento dormir em sacos onde os outros costumam suar e copular nas frias noites patagônicas.

 

O que levar

 

Veja na lista abaixo o minimo, e lembre-se que muita coisa pode ser comprada lá, mas o que realmente é essencial e pode comprometer a sua viagem, é melhor levar do Brasil, por garantia. Afinal, você pode não encontrar algum produto e ficar na mão. Avalie esta questão com muito

 

  • Anorak: É conhecido também como corta-vento, e essencial. O parque venta muito! Comprei um nacional mesmo, da marca Conquista, e atendeu perfeitamente com um custo acessível. A blusa de frio que você vai caminhar não precisa ser tão quente quando você usa o anorak (que além de tudo é impermeável), você vai ver.

 

  • Fogareiro: Para fazer bebidas quentes NOS LOCAIS PERMITIDOS, e cozinhar um miojo quando a comida estiver acabando. Não vá fazer fogueira em qualquer lugar e pôr fogo no parque como alguns infelizes andaram fazendo. Além de ser um perigo, é crime e você pode pegar até 5 anos de cadeia.

 

  • Barraca: Pode ser alugada ou comprada por lá. Mas se optar por levar, veja uma que ajude a suportar o frio e resista aos fortes ventos da região.

 

  • Saco de dormir: Essencial para quem vai acampar, mas bom também para quem vai dormir nos refúgios, que se estou bem lembrado cobra por cobertores e roupas de cama.

 

  • Botas: Muito importante. Ideal que sejam impermeáveis, e que já estejam amaciadas quando viajar. Comprei da marca Nômade, nacional, e não tenho nada do que me queixar. Aliás, continuo usando-a até hoje e recomendo demais.

 

  • Segunda pele: Minha esposa adorou. Eu só usei para dormir.

 

  • Blusa de frio: Usei apenas um fleece por baixo do anorak. Isso é vendido por lá aos montes. Aqui, os da Trilhas & Rumos custam pouco e resolvem.

 

  • Demais roupas: De preferência leves e que secam rápido, além de ocupar pouco espaço. Tipo estas blusas de corrida de rua que quase todo mundo tem, e calças de nylon.

 

  • Garrafas ou squeeze: Para carregar água e ir recarregando pelo caminho. Eu carregava duas garrafas de 500ml, e minha esposa mais duas do mesmo tamanho. É o mínimo.

 

  • Comida: É possível comprar alguma coisa nos refúgios por preços inflacionados, mas o negócio é levar sua comida. Escolha o que não pesa: bebídas solúveis (leite em pó, nescafé, chá), frutas secas, amendoins, barras de cereal, biscoitos, miojo. Lembre-se que produtos não industrializados não atravessam a fronteira. Não leve latas ou vidros de conserva para ficar pesando a mochila. Se insistir em levar, coma logo para ficar livre do peso. Quanto aos refúgios, neles você pode comprar uma boa cerveja ou vinho para comemorar as etapas vencidas!

 

E leve todo o seu lixo até o camping ou refúgio mais próximo, onde você encontrará um lugar apropriado para depositá-lo.

 

 

Mapa oficial: http://www.itorresdelpaine.com/torres-del-paine/mapa/

 

Abaixo as empresas que administram os refúgios em TDP. Acesse para saber se os refúgios estarão funcionando na data que estiver por lá e para reservar a sua cama. Detalhe: Os refúgios funcionam como hostels, com quartos e banheiros coletivos. Exceto nos preços, bem salgados.

 

Fantástico Sur (refúgios Las Torres, Chileno e Los Cuernos. Camping Serón e Francês): http://www.fantasticosur.com/pt/

Vértice Patagônia (refúgios Paine Grande, Grey e Dickson): http://www.verticepatagonia.com/

 

(Arte de capa e fotos ilustrativas by Thiago Costa)

   

Thiago “Rulius” Costa

 

Viajante, escritor, pintor, papai, jardineiro e analista de sistemas nas horas vagas 


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