The dying gods of music


written by Marco Sassen on January 25, 2016

Bom dia, boa tarde, boa noite! Olá pessoal, Guile Suarez passando por aqui para jogar conversa fora ao som das grandes bandas!

 

Por falar em grandes bandas, recentemente figuras importantes do sindicato da boa música atravessaram para o outro lado, deixando uma legião de órfãos, legítimos ou não.

 

Ian Lemmy Kilmister, vocalista e baixista da icônica Motörhead, pegou o trem um pouco antes do ano novo, deixando as festas de fim de ano um pouco mais tristes para muitos fãs. Lemmy foi uma unanimidade no mundo da música pesada, antes vista apenas com Ronnie James Dio (morto em 2010). Mas com Lemmy, corre o risco de acontecer algo que Dio escapou, mas os Ramones, por exemplo, não escaparam… A banalização do ícone. Imagens e símbolos do Motörhead foram recentemente usados e propagados ao extremo, inclusive por pessoas que antes nem sabiam direito quem Lemmy foi.

 

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Semelhante ao episódio do símbolo presidencial dos Ramones ser confundido com marca de roupas(!). Lemmy foi muito mais importante que isso e seu legado pode ser melhor celebrado ouvindo a música que ele fez.

 

MOTÖRHEAD – “DANCING ON YOUR GRAVE”

 

Outro representante importante da boa música que também nos deixou recentemente, foi o Camaleão David Bowie. Artista impar! Músico, compositor,produtor, ator e mais um bocado de talento para outras menos destacadas atividades. Bowie era admirado por artistas de várias vertentes, do pop ao rock, do grunge ao metal, do folk ao post rock. E isso não é uma coisa comum de acontecer não, não há muitos casos deste tipo de unanimidade. Bowie transcendeu não apenas na música, transcendeu gênero, desmitificou parâmetros de comportamento, alcançou status de pioneirismo em meios que hoje em dia parecem normais, e são em boa parte graças a pessoas como ele.

 

DAVID BOWIE – “CHANGES”

 

No início de dezembro, quem passou para o outro lado foi Scott Weiland, ex Stone Temple Pilots. Weiland foi um artista de voz única, a beleza de seu talento teve seu auge nos anos 90, videoclips de suas canções recheavam o Gás Total da MTV brasileira naquela década.
Uma curiosidade sobre sua morte, foi uma carta escrita por sua ex mulher, pedindo que os fãs não glorificassem a morte do artista. “Vamos optar em fazer desse o primeiro momento no qual não glorificamos a tragédia com a conversa sobre o rock e os demônios que, por sinal, não o acompanham obrigatoriamente. Esqueça a camiseta depressiva sobre a morte de Scott e use o dinheiro para levar seu filho ao jogo ou para tomar sorvete”, dizia ela na carta.

 

STONE TEMPLE PILOTS – ” INTERSTATE LOVE SONG”

 

Um bom exemplo de mediocrização do luto e da propaganda do símbolo, reside na manutenção da tristeza eterna pela morte do Rei do Rock, Elvis Presley. Morto em 1977, mesmo hoje em dia quase 40 anos depois, há pessoas introduzidas na mitificação da imagem, lamentando que o mesmo tenha morrido. Se não tivesse morrido em 1977, Elvis estaria com 81 anos hoje e provavelmente não estaria mais na ativa, isso se outra situação não o tivesse levado ao longo destes anos todos. Quanto ao verdadeiro legado cultural deixado pelo músico, aqui sim fazemos nossa homenagem e deixamos um sincero agradecimento.

 

ELVIS PRESLEY – ” I JUST CAN’T HELP BELIEVING”

 

Se a banalização do luto servisse para que as pessoas afetadas por essa propaganda, fossem realmente cativadas ao interesse por esses artistas magníficos, teríamos motivos para aumentar em 86,52% as esperanças em um futuro melhor para nossa espécie. Por mais músicas dos Ramones nas rádios, além das camisas.

 

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Por mais letras de John Lennon além de posters de submarinos amarelos em livrarias. Pelo verdadeiro legado, dos verdadeiros representantes da música boa.

 

Aquele abraço!

 

Guile Suarez

Colunista no Site Rock Music I Cervejeiro de plantão


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